Meio sem assunto pra vocês.
Tenho um amigo muito peculiar que usa o termo “sem graça” quando precisa dizer que está sem graça. É peculiar mesmo. Eu me senti sem graça agora, e lembrei disso. Tipo, sem assunto, sem… graça nenhuma. Não consigo dizer nada de valor, não consigo fazer um desenho nem me concentrar no trabalho. Deve ter alguma droga pra isso. Ilícita, não sei. Mas o fato é que o termo é exato: sem graça.
(Eu tinha umas coisas importantes pra compartilhar quando lembrei do blog agora pouco, tinha mesmo. Eu quase não me lembro delas de tão importantes. É estranho.)
Depois que comecei a estudar fenomenologia, passo o tempo avaliando o quão razoáveis ou não são as coisas na minha vida. Cheguei a conclusão de que é incrivelmente razoável que eu esteja “sem graça” agora.
Todos os fatores externos contribuem para isso.
Eu só consigo pensar que frozen yogurt de chocolate tem gosto de sorvete de chocolate. E que é realmente estranho eu ficar feliz pela tristeza de alguém (mas explico de imediato que tristeza não deixa de ser um sentimento, e esboçar sentimentos, mesmo os mais simples, nunca foi a especialidade dessa pessoa, por isso a felicidade). Também tô pensando em cinza avermelhado. Na chuva de amanhã. Nas coisas que não deu tempo de fazer (porque nunca daria tempo). Em Dancing with myself. “Onde está o meu pincel?” Nouvelle Vague. Em desperdício. Em compromentimento. Em Deus. Nos amigos. Malas. Alfinetes que eu roubei. Jane Austen e Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry . No apartamento da Francisco Matarazzo. Perspectiva Geométrica. No novo corte de cabelo. Brand New shoes. Hot dog. Frio.
No fim eu tô é com assunto pra caraleo. Mas com o coração anestesiado demais pra me importar com qualquer coisa.
Ps: Sério, assiste: Sem assunto pra você.
